25/01/2012

de nada adianta um grito sem sentido sem barulho sem vírgula


como se meu eu soprasse palavras baixinhas ao seu ouvido e dissesse, sem querer, que não há nada nesse mundo que precise de pausa. após um hiato sem graça, sem fim, sem noção, tudo renasceu colorido. e da mistura psicodélica de luzes saiu a frase eu te amo. te amo com toda a força de minhas entranhas. te amo com todo gosto de mel que sai da boca de um ursinho de pelúcia que lembro ter tido na infância. era ele que dormia comigo quando era proibido ter homens em minha cama. mas se não lembro do bichinho, lembro claramente de todo o sorriso que dei, meio sem querer, meio querendo. e apesar da frase bela que saiu do sopro que invadiu meu ouvido meio surdo, sei que é o fim. acabou tudo que vivemos. não tem mel, não tem ursinho. por que é tão complicado dizer adeus?

e assim, sem coragem, grito para todo mundo ouvir: acabou!

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